20.2C
Euclides da Cunha, BRASIL
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
Euclidense
Canudos

A História de Canudos

Bandeira de Canudos
A História de Canudos – Bandeira de Canudos, BA – Ilustração: Aldemi Oliveira

 

Canudos, é um município brasileiro do estado da Bahia. A Cidade de Canudos localiza-se a uma latitude 09º53’48” sul e a uma longitude 39º01’35” oeste, estando a uma altitude de 402 metros. Sua população de acordo com a estimativa populacional de 2015 é de 17.177 mil habitantes, dos quais, metade vive na sede. O município possui uma área de 2.984 km². Encontra-se inserido no Polígono das Secas e no vale do rio Vaza-Barris. Municípios limítrofes: Euclides da Cunha (sul); Jeremoabo (leste); Uauá e Monte Santo (oeste) e Macururé e Chorrochó (norte).

 

 

História

Antônio Conselheiro
Única fotografia de Antônio Vicente Mendes Maciel (Antônio Conselheiro) quando vivo – maladeromances – Divulgação

 

Canudos é hoje uma cidadezinha pacata, com traçado planejado e ruas retas. Fica a 410 km de Salvador, junto ao açude Cocorobó, região Nordeste do estado da Bahia.

Mas sua história vem do final do século XIX, com acontecimentos que abalaram o país. Um dos pontos turísticos mais visitados do sertão da Bahia, o município e a região foram palco de um dos episódios mais marcantes da História do Brasil: A Guerra de Canudos.

A atual Canudos, é a terceira Canudos da região. A primeira surgiu no século XVIII às margens do rio Vaza-Barris, a 12 km da localidade atual. Era uma pequena aldeia nos arredores da Fazenda Canudos.

Com a chegada de Antônio Conselheiro e seus seguidores, em 1893, o lugar foi rebatizado como Belo Monte, e passou a crescer vertiginosamente. Calcula-se que no seu auge em 1897, viviam cerca de 25.000 habitantes, sendo destruída pelo Exército durante a Guerra de Canudos (1896-1897).

A segunda Canudos surgiu por volta de 1910, sobre as ruínas de Belo Monte. Seus primeiros habitantes eram sobreviventes da guerra. Depois de uma visita do presidente Getúlio Vargas, em 1940, decidiu-se construir um açude no local. Em 1950, com o princípio das obras de construção da barragem que inundaria o vilarejo, os habitantes começaram a sair, partindo para outras localidades da região, principalmente Bendegó, Uauá, Euclides da Cunha e Feira de Santana.

 

História de Canudos - Açude de Cocorobó - Canudos, BA
História de Canudos – Açude de Cocorobó – Canudos, BA – Foto: Aldemi Oliveira

Além disso, um novo vilarejo formou-se aos pés da barragem em construção, numa antiga fazenda chamada Cocorobó, a 20 km da segunda Canudos. Com o término das obras, o local onde ficava Canudos desapareceu por sob as águas do açude de Cocorobó em 1969. Um pequeno bairro do vilarejo ficou fora das águas, e hoje é chamado de Canudos Velho.

 

Cocorobó 

O vilarejo de Cocorobó tornou-se município em 1985 e, aproveitando a fama do nome, foi batizada de Canudos, tornando-se assim a terceira cidade com este nome.

Tudo começou quando o beato Antônio Conselheiro encerrou sua peregrinação pelo sertão e fundou o povoado de Belo Monte, na Fazenda Canudos, em junho de 1893. Dois meses antes, seus seguidores foram atacados pela polícia baiana, e o conflito resultou em mortes dos dois lados. A partir daí, milhares de fiéis foram ao encontro do novo Messias na “Terra Prometida”.

 

Memorial Antônio Conselheiro - A estátua do Antonio Conselheiro na Serra do Mirante, Canudos
Memorial Antônio Conselheiro – A estátua do Antonio Conselheiro na Serra do Mirante, Canudos, BA – Foto: Aldemi Oliveira

O Conselheiro anunciava para breve o fim do mundo e não reconhecia o governo terreno da República recém-proclamada. Em apenas três anos Belo Monte transformou-se na segunda maior aglomeração urbana do estado, com 25 mil habitantes, só perdendo para Salvador. Levas e levas de sertanejos pobres continuavam a abandonar as fazendas para ir viver no povoado, rezar, fazer penitência e esperar o juízo final. E o fim daquele mundo não tardou. Pressionado pelos coronéis e pela Igreja, o governo chamou o Exército para dissolver a comunidade mística.

A tarefa não foi fácil. O Conselheiro também preparava-se para se defender de um ataque do governo. Sua guarda era formada por jagunços convertidos. Por subestimar o poder de fogo dos sertanejos, o Exército foi derrotado na primeira, na segunda e na terceira tentativa. Quase dois mil soldados foram rechaçados, e o comandante da penúltima expedição foi morto em combate.

As forças federais e municipais, com armas de repetição, metralhadoras e canhões, não conseguiram tomar o povoado. A defesa era feita com espingarda de carregamento lento, facões e ferros de manejar gado. Só depois de mobilizar mais cinco mil soldados, tendo à frente dois generais, o Exército conseguiu tomar o povoado, que resistiu até o fim. Belo Monte foi completamente destruído em outubro de 1897.

 

Açude de Cocorobó, Canudos
Açude de Cocorobó, Canudos, BA – Foto: Aldemi Oliveira’

Passados alguns anos, as pessoas começaram a retornar e reconstruíram o lugarejo, que passou a ser chamado de Canudos. Mas, em 1968, como que cumprindo a profecia atribuída a Conselheiro de que o sertão iria virar mar, Canudos foi invadida pelas águas represadas do Rio Vaza Barris. Hoje está a 40 metros de profundidade, sob os 250 milhões de metros cúbicos de água do açude Cocorobó.

Entre 1994 e 2000, as ruínas da segunda Canudos puderam ser vistas no interior do açude, nas épocas de seca.

 

Memória Viva

 

História de Canudos - Euclides da Cunha
História de Canudos – Euclides da Cunha – Foto: Ilustrativa, Wikipédia

Os números de Canudos até hoje permanecem imprecisos. Sabe-se que morreu um mínimo de 10 mil pessoas, das 25 mil que viviam em Belo Monte.

O Exército teve mais de duas mil baixas, entre mortos, feridos e desertores. Independentemente da tragédia humana ocorrida na Canudos de 1897, a verdade está expressa no testemunho vivo de Euclides da Cunha, na obra Os Sertões: “Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até o esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados”.

A atual cidade Canudense está a 15 km da velha Canudos, e vive da pesca de tilápias e tucunarés do açude de Cocorobó e do cultivo de sementes na área aproveitada do perímetro irrigado pelo açude. O Centenário de Canudos foi comemorado em 1997. Decorridos mais de cem anos dos dramáticos episódios nos sertões da Bahia, prosseguem os esforços de estudiosos, brasileiros e estrangeiros, para descrevê-los e interpretá-los, tentando vencer a dicotomia entre o real e o imaginário que o caso histórico sempre ensejou.

 

Instituto Popular Memorial de Canudos
Instituto Popular Memorial de Canudos – Foto: Aldemi

A História de Canudos – A Igreja hoje já tem outro discurso: “O Conselheiro era um homem fantástico. Estamos resgatando a história dos vencidos”, garante o Padre João Antônio, numa visão que faria arrepiar D. Luís, Arcebispo da Bahia, que, em 1882, proibia os paroquianos de ouvir as pregações do Conselheiro.

A cidade já se acostumou com os forasteiros. “O movimento tem aumentado muito nos últimos anos”, diz Jailda Oliveira, dona do Hotel São João Batista, onde se hospedou o escritor peruano Mário Vargas Llosa, enquanto escrevia A Guerra do Fim do Mundo, sobre a tragédia de Canudos, lançado em 1981, e traduzido para mais de 15 idiomas. O pai de Jailda, João da Guerra, sabia muitas histórias e foi uma das fontes do escritor.

 

Canudos
Canudos, BA – Foto: Aldemi Oliveira

A História de Canudos – A cidade, ainda vive meio isolada da capital. As emissoras de televisão só transmitem a programação do Rio e de São Paulo. Os jornais só chegam por encomenda. É preciso percorrer um trecho de 84 km de estrada de barro para alcançar a cidade. É no dia de feira, aos domingos, que a alma sertaneja se faz presente no centro da cidade. Raizeiros vendendo ervas medicinais, propagandistas com mala de cobra anunciando remédios milagrosos, e um grupo de zabumba saudando o padroeiro da cidade.

 

Igreja Nossa Senhora de Fátima
Igreja Nossa Senhora de Fátima, DNOCS – Canudos, BA – Foto: Aldemi Oliveira

Do centro da cidade Canudense se avista uma espécie de platô avermelhado, que se sobressai sobre uma planície, conhecido como Toca Velha. É morada da arara azul de lear, uma espécie de ocorrência restrita à caatinga. Nenhum caçador entra mais naquela área depois de um trabalho de conscientização desenvolvido pela fundação Biodiversitas para a conservação da diversidade biológica, com sede em Belo Horizonte. A fundação tem conseguido aumentar a população das aves, que estavam ameaçadas de extinção.

 

Igreja de Santo Antônio
Igreja de Santo Antônio, Igreja Matriz de Canudos, BA – Foto: Aldemi Oliveira

 

Formação Administrativa

 

Canudos
Canudos, BA – Foto: Aldemi Oliveira

 

Distrito criado com a denominação de Canudos, pelo decreto estadual nº 8518, de 30-06-1933, subordinado ao Município de Monte Santo. Pelo decreto nº 8642, de 19-09-1933, o Distrito foi transferido do Município de Monte Santo para o novo Município Cumbe.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o Distrito de Canudos, figura no Município de Cumbe. Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937. Pelo decreto estadual nº 11089, de 30-11-1938, o Município de Cumbe tomou a denominação de Euclides da Cunha.

No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o distrito de Cumbe, figura no Município de Euclides da Cunha (ex-Cumbe). Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o distrito de Canudos permanece figura no Município de Euclides da Cunha. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-I-1979.

Elevado à categoria de município com a denominação de Canudos, pela lei estadual nº 4405, de 25-02-1985, desmembrado de Euclides da Cunha. Sede no antigo distrito de Canudos. Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-1986. Em divisão territorial datada de 1988, o município é constituído do distrito sede.

Pela lei municipal nº 4584, de 05-11-1985, é criado o Distrito de Bedengó e anexado ao Município Canudense. Em divisão territorial datada de 1988, o município é constituído de 2 distritos: Canudos e Bedengó.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Memorial Antônio Conselheiro
Fachada do Memorial Antônio Conselheiro – Reprodução – Foto: UNEB – Canudos, BA

Administração pública

Com a emancipação política em 25 de Fevereiro de 1985, Canudos teve sua 1ª Câmara Executiva em 1986 e que só durou 2 anos para acompanhar o calendário de eleições do TSE. Às eleições para presidente, vice-presidente, 1º Secretário e 2º Secretário da Câmara de vereadores acontece a cada 2 anos chamados de Biênio,

 

Vista parcial da Cidade de Canudos
Vista parcial da Cidade de Canudos, BA – Foto: Aldemi Oliveira

Lista de Prefeitos

Manoel Adriano Filho, (Dr. Vavá), 86/88
João Ribeiro Gama, 89/92
Manoel Adriano Filho, (Dr. Vavá), 93/96
João Ribeiro Gama, 97/2000
João Ribeiro Gama, 2001/2004
Manoel Adriano Filho, (Dr. Vavá), 2005/2008
Arcênio Almeida G. Neto, 2009/2012
Genário Rabelo de Alcântara Neto, 2013/2016
Genário Rabelo de Alcântara Neto, 2017/Atual

 

Personalidades históricas

 

  • Tereza Lopes – Professora
  • Maria José Alves – Professora e Diretora
  • João do leite – Fazendeiro
  • Genário Rabelo – Farmacêutico e enfermeiro
  • Dudu – Enfermeiro
  • Cornélio – Enfermeiro
  • Mariá – Parteira
  • Nininho – Uns dos patriarcas da banda de pífano
  • IsaíasCanário – Representante politico, conhecido por fazer o pedido do Açude de Canudos
  • Joaquim de Zezé – Delegado de Cocorobó
  • Zé Vital – Comerciante
  • Zé do Barracão – Fornecedor de Alimentos, década de 70
  • João Crente – Fornecedor de Alimentos, década de 70

 

Fonte: A História de Canudos – historiasdecanudos
camara.canudos.ba ,Wikipédia
IBGE – A História de Canudos

 

Posts relacionados

Deixe um comentário - Os comentários não representam a opinião deste site; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.